terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Snowdonia



Cordeiros atravessam uma estrada, um pouco assustados com a aproximação do carro do GoogleStreetView, em Snowdonia, País de Gales.


O mundo é vasto e em grande parte um imenso paraíso (a parte que conseguimos não estragar). Todos queremos acesso a esse mundo, mas há duas coisas que o impedem e que, no fundo, se resumem a uma: o tempo e a desigualdade. Mesmo que vivêssemos milénios, deixaríamos por visitar recantos maravilhosos deste planeta, se os quiséssemos visitar como deve ser, não apenas de passagem, mas mergulhando na sua história e nos seus mistérios, comungando da vida que eles permitam. 

Para alguns, a sobrevivência não é uma questão de tempo. Senhores de todo o seu tempo, podem usá-lo como quiserem, por exemplo a conhecer o mundo. Mas a maioria, para sobreviver, tem de permanecer no mesmo local a maior parte da sua vida, quando não toda ela. Nunca poderá conhecer o que está para além do horizonte que a rodeia.
Por outro lado, o livre acesso de todos os seres humanos a todos os locais do planeta, admitindo que éramos globalmente mais ricos do que na realidade somos e que a riqueza estava suficientemente bem distribuída para que todos pudéssemos viajar pelo mundo inteiro, faria com que estragássemos tudo num ápice. Muitos sítios são frágeis e não aguentariam tamanha pressão. É o que aliás já está a acontecer um pouco por todo o mundo em algumas das mais famosas "landmarks".
Temos de admitir que a igualdade, na sua forma extrema de repartição igualitária, nunca vai acontecer. Nunca aconteceu, é quase sempre uma ilusão prometida como alcançável, mas a História mostra que a desigualdade, em lugar de diminuir, até se tem acentuado em muitos dos seus aspectos.

A estrada que se vê nesta imagem é estreita e barrada por cancelas, como que a dizer "vem, mas não tragas um veículo demasiado grande nem muita gente atrás de ti, passa devagar e não estragues o que vês".

Não é possível ver o mundo totalmente sem interagir com ele. Precisamos ao menos de falar com os habitantes dos locais por onde vamos passando e, com isso, já estamos a alterar o mundo. Alguém, de entre nós ou deles, tem de aprender uma língua estranha, para que a comunicação seja possível. Os habitantes locais vão comer e dormir a suas casas. Os visitantes também precisam de comer, dormir e, eventualmente, lavar-se — o que cria a necessidade de uma indústria hoteleira tanto mais importante quanto mais elevado o número e as exigências dos visitantes. Essa indústria vai alterar irremediavelmente o estilo de vida local. O camponês passa a barman e, à noite, o barulho das discotecas não deixa as ovelhas dormir tranquilas…

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Viaje por ali clicando nas setas das imagens ou usando o mapa:



domingo, 13 de novembro de 2016

Porco-espinho






Aquele monstro cheio de espinhos parece ter sido colocado ali propositadamente para agredir e escorraçar tudo o que se encontra à sua volta.
(Rua Martens Ferrão, Lisboa. Mamarracho moderno junto ao Palácio Sottomayor).








Dependendo das condições da luz, ele por vezes quase desaparece debaixo do vidro que o cobre completamente. São instantes felizes... 
(Rua Sousa Martins)



domingo, 6 de novembro de 2016

"Cemetrport"



Se o piloto errar a manobra, em vez de aterrar na pista, aterra no cemitério.
Aeroporto de Bilbau/Bilbao.



sábado, 15 de outubro de 2016

Afirmação individualista



Ele quis mostrar-se integrado, pela forma e pelo enquadramento, mas tinha de se distinguir do resto. Para isso usou a cor e o contraste.

Av. Aureliano Barrigas — Vila Real.



Mas será que precisava?





quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Out of water




Rio Colorado, perto da foz, em San Luís Rio Colorado, México, no ponto exacto onde deixa de "correr" ao lado do território dos Estados Unidos. A imagem é do lado montante. 


Olhando um pouco mais para a direita, vê-se a fronteira (gradeamento ou vedação que separa os dois países).


Para que não se fique com a ideia de que os USA não deixam correr nem uma gota de água para o México, é bom saber que o rio tem um canal por onde é derivada a água para rega, um pouco mais acima.


Por este canal corre (o que resta d)a água do Rio Colorado.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Memórias sangrentas




Passei muitas vezes neste local e talvez tenha reparado no monumento, que está mesmo ao lado da estrada. Mas não me apercebi do que se tratava, até ter lido algo sobre o assunto.



http://todoslosrostros.blogspot.pt/2015/07/pozos-de-caude-1000-asesinatos.html

http://www.foroporlamemoria.info/documentos/los_1005.htm

E depois fizeram a Lei da Memória Histórica, que devia servir para reconciliar —  e que muitos querem que sirva para relembrar, outros tantos para esquecer (se possível, ocultar) e não se sabe quantos para perdoar, se é que tais horrores podem ser perdoados.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A rotunda fora do lugar




Que falta de imaginação...
Se tinham de fazer a rotunda, porque não aproveitaram o que tinham ali? Mesmo ao lado, está um silo industrial abandonado. Podiam ter feito a rotunda em redor.
Ou, melhor ainda, podiam ter aproveitado a chaminé da central térmica desactivada de 250 metros de altura que está mais adiante... Isso é que era um centro de rotunda!